Search
  • newcammingperspective

Karen Kardasha combate naturalização do plágio

Updated: Jan 26

Por Drª Priscila Magossi (PUC-SP)



Nesta semana, Karen Kardasha — grande fenômeno nacional de 2020 — tem se dedicado a explicar a importância de se respeitar o autor original de uma ideia.


"O único problema é quando você faz parecer que foi você quem teve aquela ideia, você está enganando as pessoas. Eu acho que isso se torna um pouco de falta de caráter. Então, eu vou pedir para que toda vez que vocês utilizarem a ideia de alguém, vocês deem os devidos créditos", instrui Karen Karasha.



Diferença entre os processos : Criação X Reprodução

  • Criar uma personagem completa, escrever uma letra de música, e/ou desenvolver uma pesquisa são processos complexos, que demandam (1) inspiração, (2) investimento, (3) estudo, (4) dedicação full time do criador.

  • Para o plagiador, é só (tentar) reproduzir o que foi publicado pelo autor original e divulgar.


Todos os plagiadores atribuem a frustração da sua (própria) falta de capacidade intelectual e ausência (total) de caráter à naturalização de comportamentos antiéticos. Por isso, eles redobram os esforços da sua autoafirmação barata.



Karen indignada por perceber que a falta de ética está naturalizada no mercado de trabalho.



Imaginem quantos capatazes e vassalos antiéticos vão vestir a carapuça porque realmente é ótimo — para eles! — que todo mundo viva numa espécie de faroeste digital, estilo vale-tudo-de-esgoto, que deixa no chinelo qualquer episódio do Black Mirror?


Felizmente e finalmente — para os autores originais, é claro! — há Karen Kardasha defendendo a pauta dos direitos autorais! Afinal, muito do que é antiético e desumano não é necessariamente “ilegal” (perante a própria “justiça”) ou “inaceitável” (para a "civilização" tecnológica atual).


Neste momento, é importante pontuar que acolher o plagiador significa rebaixar a si mesmo ao mesmo nível do subterrâneo da ética de quem, efetivamente, cometeu o plágio. Não seja essa pessoa! Não compactue com a violência simbólica!



______________________

SOBRE A AUTORA


Priscila Magossi é jornalista (Mackenzie-SP), Mestre e Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), pesquisadora acadêmica (ABCIBER). Magossi é autora do livro “Ritualidades e vida cotidiana na cultura digital: uma investigação sobre os processos de comunicação e ritualização no ciberespaço” (2020) e do capítulo "Comunicação e velocidade na civilização tecnológica atual In: A explosão do cibermundo: velocidade, comunicação e (trans) política na civilização tecnológica atual (2017).


Magossi é fundadora/CEO do projeto New Camming Perspective (NCP): Trata-se de (1) um mapeamento das operações sigilosas do setor de Live Cams, (2) um novo modelo de negócios para empresas, e (3) um programa de treinamento para modelos. A finalidade da proposta é a contenção de danos e a humanização deste mercado. A expectativa é que práticas dignas tornem-se ritualidades cotidianas no setor.


______________________

SOBRE O ARTIGO


As publicações da NCP não são direcionadas a pessoas físicas e/ou jurídicas em particular. Tampouco nos posicionamos como adversárias da Indústria de webcams. Nossa intenção é estimular o pensamento crítico entre as profissionais e os tomadores de decisão do setor, tendo em vista que muito do que é desumano não é necessariamente ilegal.


______________________

SOBRE O PROJETO NEW CAMMING PERSPECTIVE (NCP)

O projeto New Camming Perspective (NCP) é responsável pelo trabalho pioneiro de desvincular o Camming da ação sexual instantânea (pornografia) para, em seu lugar, associar a atividade profissional ao afeto, à conectividade e à interatividade entre pessoas. Por enquanto, a Indústria Adulta configura-se como um "Faroeste Digital", uma espécie de terra-sem-lei no qual o plágio é consentido abertamente.

260 views0 comments